Em meio aos
milhares de boletos. Me pego sentindo falta apenas dos meus boletins. Aqueles
que me preocupavam, que me tiravam o sossego por 10 minutos ou menos até. Era
coisa de louco, mas era legal. É um mínimo detalhe da minha grande infância no
qual sinto falta.
Me pego
agora, sentada em uma cadeira torta, de um serviço que é consideravelmente monótono
de mais, mas no qual eu agradeço por tê-lo. Pois sem ele, eu estaria em casa
com mais tédio ainda, sentada em um sofá, tendo apenas as mesmas programações diárias
da televisão, coisa que pra mim, é totalmente desnecessário.
Minha
rotina, é a mesma, acordar a mesma hora, dormir a mesma hora, trabalhar sempre
na mesma hora, e ir para faculdade sempre, sempre na mesma hora. E o que eu
acho mais incrível é que, por mais que eu tenho turbilhões de coisas para
fazer, eu continuo sendo a mesma pessoa que sonha dia após dia, com coisas que
nem estão tão perto do meu alcance. E o pior de tudo, sempre vivo sem um tostão
furado.
E não, não é
por falta de uma administração correta, é que o que eu ganho é tão, mas tão
pouco, que mal pago minha faculdade. Então o sonho de ter um carro que me leve
para onde eu quiser, esta muito além das minhas condições financeiras. Mas nem
por isso eu reclamo, pois sou muito grata por estar cursando aquilo que quero.
Mas sabe o
que me intriga mesmo? É que, por mais que as pessoas estejam revestidas de
ostentação, de luxo e riqueza. Sempre haverá algo em que, elas não sejam totalmente
completas. Na verdade, nunca você estará completo. Uns faltam grana, outros
amor. Outros têm amor e grana, mas não tem tempo para usufruir de tudo, e por
ai vai.
Mas o que
posso dizer disso tudo, é que, por mais que falte algo dentro de si, é dever do
ser humano agradecer por aquilo que já se tem. É bom, se contentar com aquilo
que se conquista, mesmo que seja só mais um dia da rotina vencido, mas foi um
dia que você conquistou, é mérito seu, é do seu orgulho, e eu sei, que vai
valer a pena lá na frente.