Lucida, tão lucida, era tão linda, era tão encantadora. A
sua voz, que fazia meu corpo arrepiar. Era o peso do meu pensamento, que me fez
afastar de tudo, de todos. Eu me sentindo tão cheia e ao mesmo tempo sempre tão
vazia.
Por trás das lentes de um óculos, eu te observava, e era
ali, minha ilusão estampada na minha visão. Era tão linda. E eu tão fluida no
poder de uma voz que de tão sonolenta, eu me tornava perdida. E o tempo
passando, e eu ali, no seu abraço, pedindo socorro aos deuses, que me livrassem
de uma paixão mal resolvida.
Era o nó na garganta, a musica sombria que rondava minha
cabeça. Era tudo você. Meu pescoço, minha mente, meu corpo, meus pés. E eu
sozinha. E você sempre ali. Sempre tão cheio de si, e vazio de mim.
Era de se entristecer, pois já não sabia mais o que falar,
muito menos o que fazer. Mas eu estava ali, tentando fazer tudo diferente ao
menos uma vez, pra tentar socorrer o que eu havia perdido em anos de ilusão. Era
meu quarto. Eram as paredes brancas. Era o lençol azul. Era a mesinha florida,
que nem flores mais existiam ali. Era eu. Só eu.
Eu podia pintar o mundo, mas as cores eram tão escuras
quanto o meu medo de te perder. Me submeti ao pouco, pra te ter por tão pouco
tempo. Mas eu fingia estar bem. Era falso. Era sem sentimento. Eu já nem sei o
que era mesmo.
Mas eu era verdadeira pra você, e mentirosa pra mim. Por negar
o que todos viam. Meu sorriso já tão fraco pela maldade do tempo. Meus segredos,
ali, em cada pedaço da praça, jogados na grama, misturado com os cigarros já molhados
pelo sereno da noite. O banco tão vazio. Igual meu peito.
Era eu, e só eu ali, e ninguém mais. Eu era meu verdadeiro
amor e ninguém sabia.